Domingo 7 setembro 2025
23e Domingo Durante o Ano – Ano C
Homilia do Padre Emmanuel Schwab

Leituras de hoje:
1a leitura: Sabedoria 9,13-18
Psaume : 89 (90),3-4, 5-6,12-13,14.17abc
2nd leitura: Filemom 9b-10.12-17
Evangelho: Lucas 14,25:33-XNUMX

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“Quem conheceria a tua vontade, se não tivesses dado a Sabedoria e enviado do alto o teu Espírito Santo?”, diz o Livro da Sabedoria. O Espírito Santo foi dado no Pentecostes; ele está atuando em nossas vidas desde que recebemos os sacramentos da iniciação cristã, e em particular o sacramento da Confirmação, que é, em cada uma de nossas vidas, o evento de Pentecostes. Este Espírito Santo ilumina nossa inteligência para que possamos progressivamente compreender, até onde a fraqueza humana o permite, o mistério de Deus, entrar nele e contemplá-lo; e o Espírito Santo fortalece nossa vontade — confesso que prefiro o verbo — fortalece nossa “vontade” para que possamos fazer o que entendemos ser a vontade de Deus. É à luz do dom de seu Espírito que devemos tentar compreender este Evangelho.

Quem vem a mim e não odeia seu pai ou sua mãe […] não pode ser meu discípulo. […] Quem não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo. […] Quem não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo..

Podemos, nessas condições, afirmar ser discípulos de Jesus?

Em meio a essas declarações da impossibilidade de ser discípulo de Jesus, há duas pequenas parábolas: 

A parábola do homem que quer construir uma torre; o conselho de Jesus é que se ele não tem meios, é melhor não começar. 

E então aquele que vai à guerra contra outro rei: se for inferior, é melhor que tente fazer a paz antes de ser massacrado. Estas duas parábolas convidam-nos a desistir de agir… Não vás construir a torre, não conseguirás. Não vás lutar… lutar contra quem? Parece-me que estas duas parábolas nos falam precisamente sobre o que é ser discípulo: com Jesus trata-se de construir o Reino, construir o Reino, construir a Igreja. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a MINHA Igreja”, diz Jesus (Mt 16,18). Jesus não diz VOCÊ construirá minha Igrejamas Eu edificarei minha Igreja. E ele não diz Você construirá SUA Igrejamas Je construirei a MINHA IgrejaSomos chamados a trabalhar nesta construção, tanto como pedra viva como construtor.

E então o Senhor nos chama para travar uma guerra espiritual contra o inimigo, o diabo ou Satanás, que é mais forte do que nós. Lembre-se da pequena parábola do homem forte: o homem forte que está seguro, e alguém mais forte do que ele vem, o vence e leva tudo o que havia em sua casa. O diabo é mais forte do que qualquer um de nós. Mas Jesus, em sua humanidade, conquistou a vitória. 

Essas duas parábolas nos convidam a renunciar à construção do Reino de Deus e a liderar a batalha espiritual por conta própria. É isso que Teresa descobrirá ao longo de sua vida espiritual: que lhe é impossível responder ao amor de Deus com suas próprias forças. 

Sabes, minha Mãe, que sempre desejei ser santa, mas, ai de mim! Sempre notei, quando me comparava aos santos, que entre eles e eu há a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo cume se perde no céu e o grão de areia escuro pisoteado pelos pés dos passantes; em vez de desanimar, disse a mim mesma: O Bom Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis; posso, portanto, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade; engrandecer-me é impossível; devo suportar-me como sou, com todas as minhas imperfeições; mas quero procurar o meio de ir para o Céu por um caminho pequeno, reto, muito curto, um caminho pequeno, completamente novo. (MsC 2v)

E então ela falará sobre essa imagem do elevador, ela procurará o elevador nas Sagradas Escrituras e concluirá:

Este elevador são os teus braços, ó Jesus. 

Olhemos para uma criança pequena em sua caminha que não consegue sair sozinha, e olhemos para seu pai ou sua mãe que chegam para tirar a criança da cama. São os braços dos pais que carregam a criança e a colocam no chão. Mas o que a criança faz? Ela mesma estende seus bracinhos e se deixa levar. Ela se abandona nos braços de seus pais; ela acompanha o movimento. Sair de sua caminha é impossível. Para ela, é impossível, mas não para seus pais. Pois bem, é isso que Teresa entende e é isso que realmente precisamos entender: devemos renunciar a agir por nós mesmos, para nos deixarmos fazer por Cristo, cooperando em sua ação. Eu não tenho os meios para construir o Reino, para construir a Igreja de Cristo. Mas posso me oferecer para isso, para que por mim, comigo e em mim o Senhor construa sua Igreja. 

Posso lutar a batalha espiritual desde que permita que o Senhor, por meio do seu Espírito, lute em mim. Ou seja, devo renunciar a todos os meus bens e entrar neste movimento do amor de Cristo, que é o mistério da Cruz, para que o Senhor possa agir através de mim.

Ah! Como são contrários aos sentimentos da natureza os ensinamentos de Jesus!, exclama Teresa. Sem a ajuda de sua graça, seria impossível não apenas colocá-los em prática, mas também compreendê-los. (MsC 12v)

É por isso que comecei enfatizando que o Espírito Santo nos foi dado para que possamos entender o que o Senhor nos pede e para que possamos responder a isso. 

Mas estou cheio de fraquezas, eu gostaria, mas vejo o peso de toda a minha vida... 

Ah! Senhor, diz sempre Teresa, eu sei que nada ordenais impossível, conheceis melhor do que eu a minha fraqueza, a minha imperfeição, sabeis bem que eu jamais poderia amar as minhas irmãs como Vós as amais, se Vós mesmo, ó meu Jesus, não as amásseis ainda em mim. (MsC 12v)

O que São Paulo pede a Filêmon na segunda leitura que ouvimos é que acolha de volta Onésimo, que era seu escravo, que fugiu, que encontrou Paulo na prisão, Paulo o batizou, ele o envia de volta a Filêmon, dizendo: acolhê-lo não mais como um escravo, mas como um irmão.

E Filemom terá que entrar nessa caridade de Deus. 

Bem sabeis que eu jamais poderia amar minhas irmãs como Vós as amais, se Vós mesmo, ó meu Jesus, não as amásseis ainda em mim. Foi porque quisestes conceder-me esta graça que fizestes um novo mandamento. – Oh! como o amo, pois me dá a certeza de que a Vossa vontade é amar em mim todos aqueles que me ordenais amar!…

Mas como podemos viver tudo isso? A chave é sempre a mesma: a união com Jesus. Para que Jesus possa agir por mim, comigo e em mim, devo aprender a viver por Jesus, com Ele e nEleVocê reconhecerá as palavras da grande doxologia que conclui a Oração Eucarística: "Por Jesus, com Ele e nEle, a ti, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e glória pelos séculos dos séculos". É o movimento da nossa oferta que passamos a viver ao celebrar a Eucaristia. 

Nós nos oferecemos ao Pai por meio de Jesus, com Ele e nEle. Com que propósito? Para que Jesus possa agir por meio de nós, conosco e em nós. 

Em sua prova de fé e esperança, em sua escuridão, Teresa diz: [Jesus] sabe bem que, embora eu não tenha o gozo da Fé, procuro ao menos fazer suas obras. Creio ter feito mais atos de fé no último ano do que em toda a minha vida. A cada nova oportunidade de combate, quando meu inimigo vem me provocar, comporto-me bravamente, sabendo que é covarde lutar um duelo; viro as costas ao meu adversário sem me dignar a olhá-lo de frente; mas corro para o meu Jesus, digo-lhe que estou pronta a derramar a última gota do meu sangue para confessar que existe um Céu. (MsC 7r)

Isto é o que significa ser um discípulo de Jesus. Significa correr para Ele sabendo que por mim mesmo, pelas minhas próprias forças, pelos meus próprios esforços, não posso construir o Reino nem liderar a batalha espiritual. Que só posso fazê-lo por meio de Jesus, com Ele e nEle, e que, se há um esforço primordial a fazer em nossas vidas, é cuidar muito bem do nosso relacionamento pessoal com Jesus. E é um relacionamento de amor... e termino com isso.

Para agir por amor, por puro amor, Thérèse entende que, em última análise, não devo ser capaz de olhar para trás, para mim mesma. Então, ela escreve para Céline:

Que alegria inefável é carregar fracamente a nossa cruz. […]

O grão de areia quer trabalhar, sem alegria, sem coragem, sem força, e são todos esses títulos que lhe facilitarão a empreitada, ele quer trabalhar por Amor. (LT 82 para Céline – 28 de fevereiro de 1889)

Pois bem, peçamos esta graça ao Espírito Santo, que não é outro senão o amor do Pai e do Filho, peçamos esta graça ao Espírito Santo, que derrama a caridade de Deus em nossos corações.

Um homem