Domingo 5 abril 2026
Vigília Pascal – 5h30 da manhã.
Homilia do Padre Emmanuel Schwab
Leitura: Romanos 6:3b-11
Evangelho: Marcos 16:1-7
Iniciamos nossa vigília com esta primeira e conhecida história do Livro do Gênesis, que descreve a Criação de Deus em sete dias. O autor demonstra clara consciência do que está fazendo. Devido ao ciclo lunar, que dura aproximadamente quatro semanas, a semana de sete dias se estabeleceu muito cedo na história da humanidade: lua nova, primeiro crescente, lua cheia, último crescente, lua nova… Narrar o mistério da Criação dentro de uma estrutura de sete dias nos permite lembrar constantemente, por meio do calendário, que vivemos em um mundo criado. Os sete dias da semana, de domingo a sábado, nos lembram continuamente que temos um Criador, que este mundo nos foi confiado, não para sermos seus predadores, mas seus guardiões.
E quando o homem é instruído a “dominar” o mundo — em francês, a palavra dominar vem do latim dominus, que significa mestre, Senhor, e é assim que nos referimos a Deus, que é o Senhor — trata-se, portanto, de comportar-se em relação à Criação como Deus se comporta, ou seja, como aquele que dá a vida, e não como aquele que dá a morte.
Cristo ressuscitou dos mortos no primeiro dia da semana. Este primeiro dia, que tira a criação do caos, é o dia em que a luz aparece. Santo Agostinho gosta de se referir a este dia da ressurreição de Jesus como o oitavo dia da Criação; e ao chamar o dia da ressurreição de oitavo dia, ele quer dizer que, em Jesus ressuscitado, a Criação está completa, atingiu sua plenitude. Na pessoa de Jesus, a morte está morta; na pessoa de Jesus, não há vestígio de pecado; na pessoa de Jesus, a humanidade está em plena comunhão com Deus; na pessoa de Jesus, o que Deus pretendia ao criar o mundo se realiza, poderíamos até dizer que foi alcançado. E agora, o que é oferecido à humanidade é unir-se a Jesus para participar desta plenitude, para participar desta realização, livremente, sem qualquer mérito de nossa parte. O mistério do batismo é nos atrair para a pessoa de Jesus. Ouvimos isso naquele magnífico capítulo 6 da Carta aos Romanos: “Todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte… e fomos sepultados com ele para uma vida nova”. E o domingo, o primeiro dia da semana e também o oitavo, é o dia em que celebramos a ressurreição de Cristo. É o dia em que entramos em uma nova semana, começando com este mistério da ressurreição. E ouvimos: “Assim também vocês devem se considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus”.
Ao procurar nos escritos de Teresa as palavras "ressurreição" ou "ressuscitado", muitas vezes nos decepcionamos: elas aparecem muito pouco. Isso porque Teresa não fala muito sobre o Ressuscitado; ela vive constantemente com o Ressuscitado. Sua vida é um diálogo ininterrupto com Jesus. Através da fé e do seu amor pelo Senhor, ela vive constantemente, não numa presença tangível de Jesus, mas naquela presença que recebemos pela fé. E se o tempo litúrgico mais longo do ano é o Tempo Pascal, que dura 50 dias, de hoje até Pentecostes, é porque o mais importante é aprender a viver constantemente com o Ressuscitado. E eu não posso deixar de insistir para que, durante esses 50 dias, não apenas diariamente, mas o mais frequentemente possível, oremos em nossos corações: Tu estás aqui, vivo, Senhor ressuscitado. Tu estás aqui, tu estás aqui. Nossa vida deve se tornar uma comunhão com o Ressuscitado para que possamos receber continuamente dele esse amor que nos restaura, essa misericórdia que nos restaura.
A passagem em que Teresa fala do túmulo e da ressurreição encontra-se no Manuscrito B, quando ela busca sua vocação e não consegue encontrá-la. Em sua descrição, enquanto lê as Sagradas Escrituras durante seu retiro, ela se refere a Maria Madalena inclinada sobre o túmulo vazio, chorando e buscando seu Senhor. E Teresa diz: como Madalena inclinada para as profundezas do túmulo.
Ela encontrou o que procurava porque o Senhor, por trás dela, a está chamando.
Teresa também encontra nas Sagradas Escrituras o que procura. Este é o movimento da busca pelo Ressuscitado: Ele nunca deixa de vir a nós.
Sim, não somos apenas discípulos do Ressuscitado, mas pelo batismo nos tornamos membros do seu Corpo, pela confirmação recebemos a plenitude do Espírito Santo que ressuscitou Jesus dentre os mortos, e pela Eucaristia a vida do Ressuscitado é constantemente renovada em nós para que possamos viver como os vivos que ressuscitaram dentre os mortos, diz São Paulo alguns versículos adiante neste capítulo 6, para que possamos viver mortos para o pecado e vivos para Deus em Jesus Cristo; entendendo que a morte já não tem poder sobre Jesus e que, se a morte ainda opera em nós, opera de maneira diferente porque estamos unidos ao Ressuscitado, porque a vida do Ressuscitado flui em nós.
Então, irmãos e irmãs, nesta manhã de Páscoa, enquanto o sol nasce, acolhamos esta graça e decidamos viver verdadeiramente a novidade da ressurreição, renunciar verdadeiramente ao pecado, como diremos daqui a pouco, e depositar toda a nossa fé e todo o nosso amor em Jesus para caminhar diariamente com Ele, e para que aqueles que nos rodeiam, vendo-nos viver, possam descobrir algo do mistério de Cristo e possam também, por sua vez, amá-Lo e segui-Lo.
Amen.
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