Domingo 18 de janeiro de 2026
2º domingo do ano – Ano A

Homilia do Padre Emmanuel Schwab

1a leitura: Isaías 49, 3.5-6
Salmo: 39 (40), 2abc.4ab, 7-8a, 8b-9, 10cd.11cd
2nd leitura: 1 Coríntios 1, 1-3
Evangelho: João 1, 29-34

"Aqui está o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?" — "Deus certamente encontrará o cordeiro para o holocausto, meu filho." (Gênesis 22:7-8). Este é o antigo diálogo de Abraão com seu filho Isaque que ouvimos todos os anos na noite de Páscoa.

"Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."disse João Batista, apontando para Jesus.

A primeira leitura apresentou-nos um excerto do que é conhecido como o Segundo Cântico do Servo. Na segunda parte do Livro de Isaías, quatro poemas evocam esta figura do servo: Tu és meu servo, Israel.E nesses poemas, percebemos gradualmente esse anúncio Daquele que será o Cordeiro: Como um cordeiro levado ao matadouro, ele não abre a boca. (Isaías 53:7). O cordeiro é o cordeiro pascal. É o cordeiro oferecido em sacrifício na festa da Páscoa, que celebra o Êxodo do Egito, a libertação do povo de Israel. O cordeiro e o sacrifício do cordeiro são dados por Deus ao povo de Israel para comemorar este evento fundamental, o Êxodo do Egito…

Jesus é dado como o cordeiro. Ele não nos libertará mais do Egito, mas do poder do pecado e da morte, da escravidão do pecado e da morte que nos mantém cativos. Jesus é dado como o cordeiro. Ao apontar para ele, João revela que, em Jesus, Deus cumpre todas as suas promessas. Ele é o Filho de Deus, ele é o Cordeiro de Deus. Ele é aquele que foi prometido, ele, Jesus, e ninguém mais.

Pedro exclamará em um dos discursos que temos nos Atos dos Apóstolos: « Em nenhum outro lugar há salvação, pois debaixo do céu nenhum outro nome é dado à humanidade pelo qual possamos ser salvos. (Atos 4:12). E o próprio Jesus afirma no Evangelho segundo São João, no discurso após a Última Ceia: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6). Somos guardiões deste conhecimento, guardiões deste tesouro, para o mundo. Se nos foi revelado pela pura graça que Jesus, Jesus de Nazaré, nascido da Virgem Maria num determinado dia, morreu na cruz noutro dia e ressuscitou no terceiro dia, se nos foi revelado que ele é o único Salvador, não é apenas para nós:

É para que, como João Batista, possamos dar testemunho disso através de nossas vidas, mas também, em certos momentos, através de nossas palavras.

Isso para que nossas vidas demonstrem que é de fato Ele, o Cordeiro de Deus, quem tira o pecado do mundo.

É para que nossas palavras ajudem nossos contemporâneos a descobrir, em Jesus, aquele que vem para nos salvar do pecado e da morte e que vem para fazer a beleza da vida brilhar diante de nossos olhos.

Como é possível que, em nossas sociedades tecnologicamente avançadas, tenhamos tanta dificuldade em amar a vida?

Como é possível que tenhamos tanta dificuldade em proteger a vida em sua forma mais frágil, ou seja, logo no início, quando a vida humana protegida no útero materno depende inteiramente do amor, ou no outro extremo da vida, quando o idoso dependente só pode viver se estiver cercado de amor, carinho e atenção?

Como é possível que em nossas sociedades tenhamos tanta dificuldade em amar a vida em sua forma mais frágil, quando ela às vezes se mostra mais ferida nas pessoas com deficiência?

Ao contemplarmos Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, aprendemos a amar a vida.

Certo dia, uma irmã exclamou para Teresa na enfermaria: "Como a vida é triste!" e Teresa reagiu bruscamente, dizendo: "A vida não é triste! Pelo contrário, é muito alegre. Se você dissesse: 'O exílio é triste', eu a entenderia. É um erro chamar de vida aquilo que deve terminar. Somente as coisas celestiais, aquilo que jamais deve morrer, deveriam receber esse verdadeiro nome; e, nesse sentido, a vida não é triste, mas alegre, muito alegre!" (palavras para a Irmã Marie de la Trinité, junho de 1897)

Teresa não confunde a vida com as condições do nosso exílio na Terra. Ela contempla a vida, antes de tudo, na pátria do Céu, naquele “belo Céu” para o qual caminhamos. Ela contempla a vida, antes de tudo, em união com Deus, que vem nos dar esta vida. "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância." disse o Senhor (João 10:10).

Somos testemunhas da beleza da vida que Deus nos dá, e até mesmo desta vida humana no exílio que o Verbo encarnado, Jesus, vem compartilhar conosco.

No domingo passado, no Batismo do Senhor, contemplamos o Senhor que, recebendo o batismo de João, veio assumir a morte do pecador e conduzir o povo dos pecadores, guiando-os, por meio de sua Paixão e sua Cruz, à glória de sua ressurreição. Hoje, por meio das leituras deste domingo, a Igreja nos convida a acolher o Cordeiro de Deus e a segui-lo. Já que é Ele quem tira o pecado do mundo, ajudemo-Lo entregando-Lhe os nossos pecados.

Já que ele veio para nos tirar as coisas — e o verbo significa tirar, erguer, verdadeiramente tirar de nós, tirar de nós o peso dos nossos pecados — ousemos entregá-las a ele.

E o meio que o Senhor nos ofereceu, a nós que somos batizados, é vir ao sacerdote no sacramento da penitência e reconciliação para entregar nossos pecados a Jesus e abandoná-los a Jesus ao retomarmos o curso de nossas vidas em Cristo. um novo estilo de vida (Cf. Rom 6:4), num caminho que o Senhor nos abre de novo, a cada instante.

E para aqueles que não são batizados, é no batismo que poderão entregar todos os seus pecados a Jesus e acolher o Cordeiro de Deus em suas vidas.

Somos testemunhas de tudo isso. Que nos seja dada a graça de ver em Jesus o único Salvador e que nos seja dada a graça de amá-lo, servi-lo, imitá-lo e segui-lo.

Amen.